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O EVANGELHO


A negação de Pedro

Na Última Ceia, Jesus predisse que um dos discípulos O trairia (Marcos 14:18; João 6:70), entregando-O às autoridades judaicas para ser preso e executado. Todos ficaram chocados (João 13:22) com a ideia de que algo tão impensável pudesse partir de um deles. O próprio Jesus condenou essa traição, afirmando que teria sido melhor para esse homem não ter nascido (Marcos 14:21). Justamente no momento em que a traição contra Jesus era condenada tanto por Ele quanto pelos discípulos, Jesus predisse que, na verdade, todos eles O abandonariam e duvidariam d'Ele naquela mesma noite (Mateus 26:31, 34; Marcos 14:27). Pedro — que fora o primeiro a confessar Jesus como o Filho do Deus vivo (Mateus 16:16) — levou a sério o aviso de Jesus quando este disse: “Portanto, todo aquele que Me confessar diante dos homens, também Eu o confessarei diante de Meu Pai, que está nos céus. Mas todo aquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante de Meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:32-33). Pedro Lhe disse: “Ainda que eu tenha de morrer Contigo, não Te negarei!” (Mateus 26:35). Jesus lhe respondeu que ele não apenas negaria Jesus, mas o faria três vezes antes que o galo cantasse na manhã do dia seguinte.

Horas mais tarde, naquela mesma noite, Judas Iscariotes conduziu um grupo de soldados para entregar Jesus nas mãos dos sacerdotes que o haviam contratado (Mateus 26:15) por trinta moedas de prata. Ao considerarmos o crime que Judas cometeu, nós o condenamos por vender Jesus pelo preço de um escravo — trinta moedas de prata —, conforme profetizado (Zacarias 11:13). Mais tarde, naquela noite, Jesus foi preso, e todos fugiram, cada um para o seu lado (Marcos 14:50). Pedro seguiu à distância para ver o que aconteceria em seguida (Mateus 26:58).
Pedro entrou no pátio, onde foi reconhecido pelos servos devido ao seu comportamento e ao seu modo de falar (Mateus 26:73). Mas Pedro negou conhecer Jesus e afirmou que eles estavam enganados. De repente, o galo cantou, e ele se lembrou das palavras de Jesus: "E Pedro se lembrou da palavra de Jesus, que lhe dissera: 'Antes que o galo cante, você me negará três vezes'. Então, saiu e chorou amargamente" (Mateus 26:75).
Pedro não estava apenas arriscando a própria vida para ver Jesus, mas também a vida de sua família. Jesus seria julgado e executado. Quaisquer associados também estariam sob ameaça, incluindo suas famílias. Pedro — que era marido e pai, e que trabalhava arduamente para sustentar sua família — tornara-se agora uma ameaça para seus entes queridos. Pedro negou conhecer Jesus na tentativa de proteger a si mesmo e àqueles que amava. Pedro saiu pelos portões chorando, percebendo que talvez não houvesse reconciliação para a sua negação (Mateus 10:32-33).
Seu caráter o impelia a seguir Jesus aonde quer que Ele fosse. Mesmo nos momentos mais difíceis, ele permanecia firme. Quando houve uma tempestade no mar e Jesus veio caminhando em direção a eles, foi Pedro quem ousou pedir a Jesus que lhe permitisse caminhar sobre as águas ao Seu encontro (Mateus 14:28-29). Quando Jesus estava sendo preso no jardim, foi Pedro quem sacou a espada para ferir um servo, a fim de proteger Jesus (João 18:10). Contudo, naquele momento sutil no pátio, não foi um homem com uma espada nem uma forte tempestade que o levou à negação — mas sim uma simples serva, junto ao fogo. Depois que Jesus ressuscitou, Ele perguntou a Pedro se ele ainda O amava, ao que Pedro afirmou, com pesar, que sim (João 21:15-17). Jesus perguntou a Pedro três vezes — uma para cada vez que Pedro O havia negado — a fim de restaurá-lo.


A confissão de Judas

Então Judas, o traidor, vendo que Ele havia sido condenado, sentiu remorso e devolveu as trinta moedas de prata aos sumos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: “Pequei, traindo sangue inocente”. E eles disseram: “Que nos importa isso? O problema é seu!”. Então ele atirou as moedas de prata no templo, retirou-se e foi enforcar-se. (Mateus 27:3-5)
Se considerarmos a natureza do pecado que Judas e Pedro cometeram, Pedro estaria sujeito a uma condenação maior. Foi predito que ambos os homens pecarem contra Jesus, e ambos cumpriram essa profecia de Jesus em sua totalidade. A diferença residia em seus corações. Pedro amava Jesus, e Judas, não. O aspecto interessante no caso de Judas é que ele confessou e tentou reparar seu erro, mas foi movido pelo seu ego. Ele poderia ter se humilhado e pedido perdão a Jesus. Jesus o teria restaurado da mesma forma que restaurou Pedro; contudo, Judas endureceu seu coração e tirou a própria vida. Judas sentia remorso e pesar pelo que havia acontecido a Jesus, mas o remorso não pode salvar ninguém. A confissão desacompanhada de uma expressão de vida é desprovida de sentido.
"O SENHOR está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito contrito." Salmos 34:18
Todos nós pecamos contra Deus: alguns, negando-o por meio de nosso viver diário; outros, traindo-o ao quebrar as promessas que lhe fizemos. Deus oferece a todos a reconciliação por meio de Jesus Cristo, desde que não endureçamos nossos corações (Hebreus 3:8) — como fez Judas —, mas, ao contrário, professemos amá-lo tanto com nossas palavras quanto com nossas ações. Jesus disse: "Se vocês me amam, obedeçam aos meus mandamentos" (João 14:15); e tais mandamentos não são difíceis (1 João 5:3). Se tivermos o Espírito Santo habitando em nós, eles se tornarão fáceis. O que conta não é o nosso próprio esforço, mas sim o nosso amor por Jesus — amor esse que nos impulsiona e nos motiva a agradá-lo, seguindo a sua Palavra.