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O EVANGELHO


Crucificação de Jesus Cristo

Quando Israel foi conquistado pelo Império Romano em 63 a.C., foi exposto tanto ao melhor quanto ao pior do domínio imperial. Foi também esse império que introduziu outra forma de pena de morte — especificamente, a crucificação. Historiadores como Josefo, Heródoto, Sêneca, Tertuliano e outros documentaram detalhes da crucificação, a qual era executada com diversas variações. Uma sentença de morte desse tipo visava forçar a submissão do povo e era reservada a criminosos. A vítima sofria tormentos físicos e psicológicos tão atrozes que qualquer pessoa evitava até mesmo proferir a palavra, conforme observou o erudito Cícero. Essa forma de pena capital só foi abolida em 337 d.C. pelo imperador Constantino, em sinal de veneração a Jesus Cristo.


Depois que Pilatos entregou Jesus para a crucificação, Ele foi escarnecido e açoitado pelos soldados (Mateus 27:27-31) e conduzido ao Gólgota (João 19:16-17). A caminho de lá, Simão, o cireneu — que vinha do campo — foi forçado a carregar a cruz (Marcos 15:21) para Jesus, pois Ele já não conseguia suportá-la. As mulheres que pranteavam por Jesus seguiam a procissão — "Mas Jesus, voltando-se para elas, disse: 'Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim, mas chorai por vós mesmas e por vossos filhos'" (Lucas 23:28-31). Esta foi uma profecia que se cumpriu no ano 70 d.C., quando uma revolta judaica resultou no Cerco de Jerusalém, conforme descrito pelo historiador Flávio Josefo. Quando Jesus foi levado ao Calvário (Lucas 23:33), eles O crucificaram ao meio-dia (Marcos 15:25), com dois criminosos à Sua direita e à Sua esquerda (João 19:18). Lá, os soldados colocaram a inscrição de Sua acusação acima d'Ele — em hebraico, grego e latim (Lucas 23:38) — dizendo: "ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS" (Mateus 27:37). Eles ofereceram a Jesus uma mistura de vinho azedo com fel (Marcos 15:23), mas Ele recusou-se a tomá-la. Essa mistura atenuaria a dor e auxiliaria a vítima em seu sofrimento. Jesus recusou essa bebida a fim de suportar o castigo integral com plena consciência.


Crucificação

Como era a crucificação? O tormento era tão horrível que uma nova palavra — "excruciante" — foi inventada para descrever a agonia na cruz. A vítima era açoitada para que ficasse enfraquecida e com o espírito quebrantado. As feridas graves causadas pela flagelação levavam a vítima a um estado de choque, decorrente da dor e da perda de sangue. Uma vez despida e espancada, recebia uma placa pendurada no pescoço para anunciar seu nome e seu crime. Era então forçada a carregar uma trave transversal de cerca de 45 kg (100 libras) através de uma multidão, rumo ao local de sua execução final. O condenado era, em seguida, completamente despido; suas mãos eram pregadas à trave transversal e, com o auxílio de cordas, ele era içado para ser fixado ao poste vertical. Uma vez fixado, seus pés eram pregados ao poste, atravessando os tornozelos, tanto para infligir dor quanto para oferecer apoio e evitar uma asfixia prematura. O criminoso, condenado e exposto, sofria humilhação pública por parte daqueles que passavam pela estrada. O ato de respirar era acompanhado pela tração nos punhos pregados, pela pressão nos tornozelos pregados e pelo atrito das costas açoitadas contra o poste a cada expiração. Devido ao tormento prolongado, os pulmões acabavam se enchendo de líquido, e a falta de oxigênio enfraquecia a vítima. Quando a vítima já não conseguia mais impulsionar o corpo para cima a fim de respirar, ela morria.

A hora mais sombria

O tempo era contado a partir do amanhecer; portanto, a sexta hora correspondia ao meio-dia, momento em que Jesus foi crucificado. Ora, desde a sexta hora até a nona hora, houve trevas sobre toda a terra. (Mateus 27:45) As trevas sobre a terra representavam a ira de Deus, que Ele derramou sobre Jesus.
Na hora mais sombria, quando Deus, o Pai, lançou sobre Jesus o pecado de toda a humanidade, Ele se separou de Jesus. Deus é Santo e não pode ter o pecado em Sua presença. Deus, o Pai, retirou Sua presença de Seu Filho, e Jesus exclamou: “Meu Deus, Meu Deus, por que Me desamparaste?” (Marcos 15:34) Depois disso, Jesus, sabendo que todas as coisas já estavam consumadas — para que a Escritura se cumprisse —, disse: “Tenho sede!” (João 19:28-29) Um dos soldados, ao ouvir isso, foi e encheu uma esponja com vinagre para Lhe oferecer a bebida. Então Jesus disse: “Pai, ‘em Tuas mãos entrego o Meu espírito’.” (Lucas 23:46) Depois de receber o vinagre, Jesus disse: “ESTÁ CONSUMADO!” E, inclinando a cabeça, entregou o Seu espírito. (João 19:30) Assim, quando o centurião, que estava em frente a Ele, viu que Ele clamara dessa maneira e exalara o último suspiro, disse: “Verdadeiramente, este Homem era o Filho de Deus!” (Marcos 15:39)


A expiação pelo pecado

Quando Jesus disse: "ESTÁ CONSUMADO", e morreu, o véu do templo rasgou-se de alto a baixo. Por quê? Esse véu no templo separava o Santo dos Santos do Lugar Santo do templo. Apenas o sumo sacerdote podia entrar ali, uma vez por ano (Êxodo 30:10), para a expiação dos pecados do povo, a fim de que pudessem estar na presença de Deus. Jesus ofereceu-se a Si mesmo como sacrifício pelos pecados do povo de todas as nações, e não seriam mais exigidos sacrifícios anuais (Hebreus 7:27). Isso representou o cumprimento da profecia mencionada no livro de Daniel 9:24-27: o Messias seria morto e os sacrifícios diários cessariam. Visto que o véu do templo foi rasgado pelo próprio Deus, os sacrifícios não podiam mais ser considerados válidos. Os sacrifícios de animais não removiam os pecados (Hebreus 10:4), mas, em vez disso, os cobriam temporariamente, até que o Messias — Jesus — pudesse lavá-los (Hebreus 9:25-28). Agora, temos um novo Sumo Sacerdote — Jesus Cristo —, que intercede em nosso favor na presença de Deus (Hebreus 8:1-6). O fato de o véu ter-se rasgado de alto a baixo demonstra que Deus removeu o véu para que pudéssemos entrar em Sua presença. Simplesmente crendo em Jesus — e em Seu sacrifício — e pedindo o Seu perdão, podemos ser purificados de todo pecado (1 João 1:7) e ter um relacionamento restaurado com Deus, nosso Pai.

Eterno Sumo Sacerdote

Um homem pode suportar a punição ou efetuar um pagamento em favor de outro para livrá-lo da condenação perante a lei humana. Mas nenhum homem pode fazer o mesmo para livrar alguém da condenação perante a lei de Deus (Marcos 8:37). Todo pecado cometido constitui uma transgressão da lei de Deus. O juízo de Deus para o pecado é a morte. Deus é Espírito (João 4:24) e é eterno (Isaías 40:28) — o que significa que Deus não pode morrer. Então, como pode Deus salvar a humanidade da condenação de Sua lei, se somente Deus pode expiar os pecados, mas Deus não pode morrer? Deus é amor (João 15:3) e Ele demonstrou o Seu amor ao assumir a carne humana (Isaías 53:3). Deus revelou-Se (João 1:18) por meio de Jesus, para que Ele pudesse tomar sobre Si os pecados de toda a humanidade — passados e futuros —, levá-los à cruz e realizar a expiação perante Deus. A justiça de Deus foi plenamente satisfeita (Isaías 53:11) por meio do sofrimento e da morte que somente Jesus poderia suportar. Visto que Jesus era plenamente Deus (João 10:30), Ele pôde suportar a punição pelos pecados de todos; e, por ser também o "Filho do Homem" — plenamente humano (Filipenses 2:7) —, foi capaz de sofrer a punição integral, que é a morte.


O Sepultamento de Jesus

Jesus morreu aos 33 anos de idade, na cruz, em decorrência da penalidade pelo pecado que Ele tomou sobre Si por toda a humanidade. José de Arimateia foi até Pilatos para pedir o corpo de Jesus (Mateus 27:57). Pilatos ficou muito surpreso ao saber que Jesus havia morrido após apenas três horas na cruz (Marcos 15:44) e concedeu sua permissão. Nicodemos — membro do Sinédrio e discípulo secreto de Jesus — preparou cem libras de uma mistura para unção, composta de mirra e aloés, para o sepultamento de Jesus (João 19:39). Mesmo depois de Jesus ter sofrido uma execução agonizante na cruz e morrido em consequência disso, os fariseus persistiram em sua ira contra Ele. Assim que perceberam que não seriam mais oferecidos sacrifícios diários — devido ao véu do Templo ter-se rasgado —, temeram perder sua autoridade diante do povo. Foram até Pilatos e pediram-lhe que selasse o sepulcro por três dias, para que os discípulos não roubassem o corpo de Jesus e alegassem Sua ressurreição (Mateus 27:62-66). Pilatos concedeu a permissão, e eles providenciaram seus guardas e um selo romano para os três dias seguintes.


Evidência histórica

José providenciou que Jesus fosse colocado em seu próprio sepulcro, que ele havia preparado para si mesmo, pois era um homem rico. E designaram-lhe a sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; embora não tivesse cometido violência, nem houvesse engano em sua boca (Isaías 53:9).
Historiadores e estudiosos imparciais atestam que Jesus viveu, morreu e ressuscitou. Os relatos dos Evangelhos e os testemunhos constituem provas irrefutáveis desse fato. A comunidade islâmica é a única que nega a morte de Jesus na cruz, sem possuir qualquer fundamento sólido para tal alegação. Visto que o Alcorão foi escrito a 600 milhas de distância e 600 anos após os eventos, ele não pode ser considerado uma fonte sólida para essa afirmação. Os Evangelhos e as cartas às igrejas foram escritos por testemunhas oculares, na época e no local em que os eventos ocorreram. Os autores dos Evangelhos e os discípulos de Jesus renunciaram ao conforto de suas vidas e sofreram severa perseguição por causa de seu testemunho a respeito de Jesus. Nenhuma pessoa em sã consciência renunciaria à própria vida e suportaria preconceito, ódio, exílio, prisão, tortura e morte por uma mentira. O testemunho da vida, morte e ressurreição de Jesus constitui o fundamento da esperança de todas as pessoas — tanto as do passado quanto as do futuro.